A CONDESSA SEM CHETA

A CONDESSA SEM CHETA
MY BOOK

Sunday, 6 March 2011

VENDAVAIS



Neste mundo imperfeito
O que vim cá fazer?
Vim ver o belo e o perfeito
E vim, também, para apreender.

Tenho dias tão sombrios
Em que tudo me parece igual.
É uma triste monotonia,
Uma campanha infernal.

Entro dentro de vendavais,
Onde vivo minhas emoções.
Tanta mediocridade é demais
E eu, aqui, aos empurrões

Procuro no verso escrito
Depositar o momento
Escrevo até que desista
Até entrar num convento

Num convento de pedra talhada
Como havia antigamente
Poderia eu lá versejar
Criar outro mundo, com a mente.

Quem me dera ser um mestre
E viver, sentado, no universo.
A tudo assistir e dar conselhos
Virar tudo do avesso

Por: Joaquina vieira

11/02/2011

TEU DESEJO, MEU NINHO



Quero sentir os teus lábios
Para com eles, brincar.
Quero, por meus seios tocados,
Sentir o teu prazer, aninhado.
Quero nos teus braços vibrar
E, no teu colo, descansar.
Quero, nos teus olhos, me olhar
E, na tua ternura, mergulhar.
Quero no teu corpo sonhar
Quando na tua cama entrar.
Quero que tudo, em ti, me alicie,
Quero o teu desejo, meu ninho.
Quero, afinal, apenas, carinho.
Assim, contigo, em comunhão,
Seremos dois corpos em união

Por Joaquina Vieira

04/03/2011

MOMENTO DE ALMA - CLAMA AO SOL




Onde te escondes meu Sol,
Contas-me o segredo da Lua?
Minha alma se manifesta
Ainda que na contingência
Do encontro entre o Sol e a Lua.
Tal chama ou lamparina que alumia
Assim vi o teu olhar desconsolado.
Nele antevi o crepúsculo,
Nas idas camadas de resplendor.
Agora, a etapa é da Lua?
Na Lua-Nova ou no Quarto-crescente,
A sapiência conserva o medo
E tua alma não está contigo.
Querido, clama ao Sol
Realidades silenciosas.
Existências banais se desviam
Para onde meu sol se exila

Por: Joaquina Vieira

19 Fevereiro 2011

MOMENTO DE ALMA - O MOÍNHO



Fugindo do que me atormenta
Num moinho fico aninhada.
Feitas de madeira de carvalho
Sinto o bater das pás, ao vento.

Nele me escondo, furtiva,
Com meus medos pendurados.
Alguém joga às escondidas
Brincando com minha mortalha

Cabelos remexidos pelo vento,
Lavados em águas passadas.
Sinto remexer meu ventre
Por restos de vento, rasgados

Sinto odor a ribeiros
Onde purguei minhas mágoas
Onde sempre me banhei
E neles me senti lavada

Dentro do meu moinho
As pás pararam, sem vento
Nos meus dias mais sombrios
Para tudo, até o tempo

Também capto o momento
Mas não das pás do moinho
Imagino o sofrimento do moer,
Do esmagar dos grãos de milho

Nele encontro meu asilo
Fora do reboliço da cidade
Vem sempre aos meus ouvidos
Os sons das suas pás

Entra a brisa, porta adentro,
Trazendo o cheiro da madeira
Odores a flores, folhagem seca,
Uma gaivota como companheira

Por: Joaquina Vieira

60/03/2011

MOMENTO DE ALMA - ÁPICES



No dia em que eu morrer,
Dentro dum caixão vou levar
Todos os odores a flores,
Tudo o que aprendi amar.
Levarei sonhos por realizar,
Maledicências por desmontar
Ápices que me derrubaram.
Seguirei por outra estrada
Onde se cruzam caminhos,
Encruzilhadas de amanhecer.
Então, depois, prosseguirei,
Olharei para trás e verei
Levarem minha mortalha.
Hoje não consigo pensar!
Apenas vejo traição,
Não sei em quem acreditar.
Dentro de mim está a mágoa
De minha alma manchada,
Dolorida, magoada.
Sei, também, que isto vai passar
E que o Universo, algo,
Prepara para me enviar.
Tudo o que me acontece
É para que aprenda a lição.
Porque estou bem viva
Dentro do meu coração.

POR: JOAQUINA VIEIRA
06/03/2011